sábado, 5 de março de 2011

BETO SCLIAR

Embora eu tenha dito, e é verdade, que somente li um livro de de Moacyr Scliar, li quase todas as suas crônicas em nossos jornais. Foi assim que acompanhei uma das maiores histórias de amor de pai e filho, falo de Beto, o filho único de Moacyr Scliar. Através das crônicas do escritor, Beto passou a fazer parte de minha vida. Moacyr contou nas colunas dos jornais toda a infância e adolescência de seu filho.
Como eu tambem tenho filho único, aliás filha única,  Gabriela, entendia tudo o que ele falava sobre o seu filho. Tenho tanto orgulho de minha filha quando ele tinha de seu Beto. No entanto, ele foi muito mais competente para dar a conhecer o mundo o quanto deste amor tinha.
Por outro lado, que compromisso o de Beto! Através de Moacyr, Beto é um personagem de nossa cidade. Agora, sem Moacyr, o que fará?
Por outro lado, Beto terá por toda a vida um orgulho: não poderia ter tido  um pai melhor que Moacyr.

sexta-feira, 4 de março de 2011

NADA DE OXIGÊNIO NOS BANHEIROS

Leio que as autoridades resolveram nos EUA e aqui tirar as máscaras de oxigênio dos banheiros dos aviões. Esclareceram que é questão de segurança, pois terroristas poderiam se aproveitar da existência do oxigênio para cometer atos insanos, pondo em risco a segurança dos voos. Não faltará quem reclame.
Tem gente que tem verdadeira paixão por banheiro de avião. No saguão geral dos aeroportos, existem inúmeros e bons banheiros. Na área de embarque o mesmo acontece. Pois existem umas figurinhas que, mal entram na aeronave e já se socam no banheiro, atrapalhando as operações de decolagem. Levantam de hora em hora para ir até o banheiro.
Não sei de onde sai esta paixão, pois o banheiro é minúsculo, e quase sempre mal cheiroso, visto que não existem, por óbvio janelas, e o esgoto se dá por sucção a vácuo. Pode ser que a ameaça de ser pego no banheiro em situação de emergência, e portanto, tendo que se deslocar imediatamente até a cabine geral para colocar a máscara de oxigênio, sob pena de desfalecer, venha a diminuir esta vontade de ir ao banheiro a toda a hora.

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Não morro de amores pela Academia Brasileira de Letras. Não pelo seu passado, mas pelo seu presente.
A minha ABL tem Machado de Assis, Euclydes da Cunha, Gustavo Barroso, Ruy Barbosa, Rachel de Queiroz, Dinah de Queiroz, Zélia Gattai e Jorge Amado.
Também gosto da Academia com Carlos Nejar, Lygia Fagundes Telles, João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna. Não gosto da ABL com Paulo Coelho, Ivo Pitanguy e Jose Sarney. Nada contra as pessoas, pois todas ilustres, mas é que não consigo pensar em literatura  quando penso nelas.
A Academia, vez por outra, confunde a capacidade profissional em outras atividades com vocação para academia. Penso que agiu assim na eleição de um dos maiores juristas brasileiros que foi Pontes de Miranda, e na eleição do empresário Roberto Marinho.
Para mim, a  Academia tem que ser a guardiã da lingua,  e sobretudo a depositária da qualidade da literatura nacional.
Quando penso em Academia, lembro Érico Veríssimo que nunca foi membro dela. Indagado por que não se candidatava respondia com bom humor: não me candidato por ser quase UMA VAGA! Que pena, Érico você merecia tanto. De outra banda, Mário Quintana tentou e não conseguiu  por três vezes. Irônico, disse em uma de suas poesias: Todos os que estão ai atravancando o meu caminho: eles passarão, e eu passarinho!
Está na hora de uma mulher gaúcha na ABL para formar par com o nosso poeta Carlos Nejar, o único representante rio-grandense  por lá.  A nossa melhor escritora hoje é Lya Luft, cujo nome é unanimidade nacional. Não sei se ela se candidataria, mas sob o ponto de vista técnico seria imbatível. Se a escolha fosse masculina, ficaríamos bem com Luiz Coronel ou Assis Brasil.

quinta-feira, 3 de março de 2011

VAI PIORAR

Youssef Hosnyres previu e já está acontendo: uma grande lambança na área financeira.
No ano passado, o Nosso Líder se postou em grande gastança irresponsável.
A atitude foi igual ao do chefe de família que fica gastando além do orçamento, e depois no mês seguinte se dá conta que aquela prestação que lhe pareceu baixinha lhe tira grande parte do orçamento doméstico.
Para ganhar as eleições a petesada saíu gastando tudo o que podia e o que não podia.
O resultado é que estamos numa naba só.
Os cortes no orçamento foram para inglês ver, pois estão cortando o que aumentou em relação ao orçamento anterior. É como cancelar aumento de salário. Se eu cancelo o aumento do meu funcionário, não estou rebaixando, ele somente deixará de ver seu caraminguá majorado.
Vai piorar: amarram os cintos de segurança.

quarta-feira, 2 de março de 2011

DIFERENÇAS

A maior dificuldade nas relações interpessoais é a compreensão de que as pessoas são diferentes. Por exemplo, o  maior erro da classe médica é exatamente tentar medicar as pessoas da mesma  forma, quando elas não são exatamente iguais. Essa visão distorcida da realidade humana está presente em todas as relações, desde a de pai e filhos, marido e mulher, patrão e empregado, oficiais e soldados, enfim, em todas as categorias.
Rui Barbosa, no começo do século XX, já dizia que a igualdade consiste em tratar com desigualdade aos desiguais, na exata medida em que eles se desigualam. Certamente não foram exatamente as palavras de Rui, mas o sentido é exatamente este.
É perfeitamente possível uma longa amizade entre pessoas completamente diferentes, bastando que uma respeite as peculiaridades do outro. Se o amigo não gosta de vinho, a ele não ofereço a taça, e ele certamente não se importará de, enquanto toma a sua cerveja,  eu me delicie com um bom Carmènerè. Se o meu amigo é colorado, não o convido para ir ver  um jogo do Grêmio.
Devemos valorizar o que o outro tem de bom. Todas as pessoas tem algum dom onde se destacam,  e não se sobressaem em outros. Por que devo ficar batendo tambor para os pontos que são exatamente o calcanhar de Aquiles ? Pelo contrário:  é exatamente auxiliando a pessoa a enfrentar estes seus pontos de vulnerabilidade que vou me salientar enquanto amigo ou afeto.
Não raro, caminhando em nossas ruas, vejo uma mãe castigar o filho que acabou de cair, como se o moleque não tivesse outra coisa para fazer do que se atirar no chão a fim de se machucar. A criança acaba sofrendo duas vezes: uma ditada pelo destino e outra pelo castigo infligido pela própria genitora.  A mãe não respeitou o fato de que a queda é coisa comum nas crianças, sendo sua atitude praticamente uma vingança.
No trabalho, não é diferente.  Os patrões precisam entender que os seus empregados têm características diferentes. O bom gestor percebe o que cada funcionário tem de bom, aproveitando ao máximo o lado melhor do empregado, e evitando lhe dar tarefas que, de antemão, sabe não são o seu forte. Este segredo do bom administrador raramente é aplicado em nossas empresas. Com isso, se perde muito tempo com  resserviços.

terça-feira, 1 de março de 2011

OLHO NAS NUVENS

Quando eu era menino,  gostava muito de olhar as nuvens, principalmente aquelas brancas grandes, que se vão até o horizonte, quando este se encontra com a terra. Face ao redondo do planeta, elas parecem estar de pé.
Ficava ali olhando para o céu, tentando enxergar alguma figura nos blocos disformes das nuvens. Encontrava tudo o que a minha imaginação conseguia. Ia de rostos a cavaleiros andantes.
As formas não duravam muito, pois, como sói acontecerem, elas se movem levadas pelo vento das alturas.
Já dizia Mário Quintana, no seu genial Caderno H: "não esquecer que as nuvens estão improvisando sempre, mas a culpa é do vento".
Cresci, e agora não tenho quase tempo nem de olhar para o céu. Certamente as nuvens ainda estão lá. Não as nuvens de minha infância, mas as nuvens de nossas crianças. Será que elas olham para as nuvens como eu olhava. Temo que não. Computador só tem nuvens na tela de abertura.

XÔ MORTE!

Paulo Santana se diz muito doente, e anda falando muito sobre a morte.
Por meu turno, não me preocupo com o fato.
Por que me devo preocupar com um encontro que nunca ocorrerá?
Se a morte estiver presente, não estarei mais aqui; se eu estiver ela ainda não estará.
Quando eu sou; ela não é; quando ela é, eu não sou mais.
Somos pior que azeite e vinagre. Eles não se misturam,  mais convivem no mesmo ambiente.
Eu e a morte não podemos viver no mesmo local.
Daí que ela não é problema meu.
Só me preocupo quando ela - vez em quando - vem pegar algum amigo ou afeto, aí fico puto da cara com ela.
Xô!

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