domingo, 6 de março de 2011

TIRIRICA TRAÇANDO OS RUMOS DA EDUCAÇÃO

Quando todo o mundo jogou pedra na eleição de Tiririca, defendi o deputado eleito. Entendo que os tiriricas têm o direito de eleger o seu representante. O parlamento é um reflexo do povo que o elege. Assim, também aplico o mesmo princípio, aos que, eventualmente, se mostram desonestos, e mesmo assim são reeleitos. Na verdade, os seus eleitores os querem assim mesmo.
Por outro lado, não concordo na indicação dele para a Comissão de Educação e Cultura. Acho que as comissões temáticas devem contar exclusivamente com especialistas. Tiririca, segundo noticiado, teve que provar ser alfabetizado, logo não é a pessoa certa para tratar de educação e cultura. É como colocar um estudante do primeiro ano da faculdade para organizar o programa das disciplinas a serem cursadas.
Por falar no assunto, no meu tempo de faculdade de direito, alguns coleguinhas, que militavam no Centro Acadêmico, defendiam esta tese besta de o aluno participar da montagem do rol das disciplinas a serem lecionadas. Hoje, ninguém defenderia esta asneira.
Por que então o Tiririca foi convidado a participar da comissão?
Eu lembrei dos meus tempos de colégio primário, onde nós, no alto de nossas irresponsabilidades próprias da infância e juventude, elegíamos para líder da aula o aluno mais indisciplinado, o mais arruaceiro,  somente para vexar a pobre professora.
Certamente,  foi o que aconteceu na Câmara, eles querem vexar a nação com a indicação de um analfabeto funcional para a comissão de educação.
Espero que Tiririca siga o exemplo do Vicentinho que aproveitou uma melhor condição para se instruir e hoje é formado em curso superior, e não o de Nosso Líder que passou os útimos 30 anos com boa renda e tempo e nada fez para se instruir.

ERA VERDE

Há alguns dias, mais precisamente no aniversário de 50 anos de minha cunhada Magda, minha filha Gabriela estava com as unhas pintadas em cor da moda. O problema é que abriu uma discussão na mesa sobre a verdadeira cor do esmalte sobre a unha de Gabi. Fui vencido dizendo que era verde, pois a maioria achou que era azul.
Dizia Berkeley que tudo se reduz à percepção e à mente que percebe. Assim, a água que sai do chuveiro pode ser quente ou fria, conforme o sujeito que está debaixo da ducha.
Antes que eu leve uma chinelada, adianto a pergunta óbvia: mas se eu botar a mão no fogo vou me queimar, logo se queima em todo o mundo todos estão sentindo o fogo da mesma forma? Não, pois a dor não está no fogo, mas na mente do queimado. Dizia ele que somente existe o fogo se existe alguém para o perceber. Em suma, nada existe no exterior da mente.
Esse est percipere et percipi, traduzindo para o português dos mortais: ser é perceber e ser percebido.*
A percepção das cores é algo totalmente subjetivo. Daí que cada um tem a sua preferida. As cores não são, elas apenas estão na percepção, ou seja, no espírito de cada pessoa.
Voltando às unhas de Gabi, ainda acho que eram verdes.

*A história da filosofia - Organização de Bernardete Siqueira Abrão - Nova Cultural - 2004

BAIXA ESTA DROGA DE SOM, PÔ!

Você conhece pessoa mais chata do que as que instalam auto-falantes potentes nos porta-malas de seus carros, e vão para a praia para fazer todo o balneário ouvir seu som?
O sujeito está ali na beira da praia, tranquilo, como água de poço, e aí chega um sujeito e liga o som a todo o volume, algo como 80 a 90 decibéis, ou ainda 1.000 watts a lhe deflorar os tímpanos.
O dono do som, fica geralmente de pé para que todos o vejam, pois se acha o dono da cocada preta, e, não raro,  com um latinha de cerveja na mão, um dos gestos que mais me desagrada num ser vivente.
Quer fazer uma pessoa cair em descrédito comigo, é vê-la tomando cerveja direto na garrafa ou na lata, de pé no meio da rua. Para mim é o protótipo da chinelagem explícita. Pois é o tipo da postura desta gente os super sons.
Alguns ainda sofisticam a chateação: desfilam pela praia espalhando a barulheira para todos os infelizes moradores da praia.
Qualquer dia eles vão achar um sujeito que nem aquele que atropelou os ciclistas e vai acontecer uma desgraça.

CARNAVAL SINÔNIMO DE FELICIDADE?

Sei que vou ser considerado um chato - o que de antemão já vou dizendo que concordo- mas vejo com alguma perplexidade que as pessoas pensem que é felicidade sair pulando no meio de uma multidão, ao som de músicas repetitivas, como se todos os problemas do mundo tivessem terminado.
A euforia deve ser causada por descargas de adrelina, com a injeção de endorfina em altas doses, a irrigarar a dopagem carnavalesca, é a única justificativa possível. É, sem dúvida, a mesma química que os maratonistas são submetidos a cada jornada.
Claro que não é felicidade, mas momentos de alegria, tal como se tem, por exemplo, nos campos de futebol, quando o nosso time faz um gol, mesmo que seja com a mão.
Felicidade é um outro campo. Tem caráter mais permanente, a junção de uma boa vida conjugal, filial, fraternal; boas amizades, bons relacionamentos, enfim, relações interpessoais de boa qualidade; boa saúde física e financeira; trabalhar fazendo o que gosta;  um morar bem; se alimentar bem; algum conforto pessoal; uma boa vida cultural, social e esportiva; um bom estado de espírito, uma boa dose de fé;  alguma de otimismo; e sobretudo muitos sonhos, constituem um passaporte diplomático à felicidade.
Ora, diante deste tamanho rol de pressupostos a uma felicidade, convenhamos que não é fácil ser feliz, mas a verdade é que grande parte deles dependem de nossa vontade. São raros os que pressupõem a interferência de terceiros. O que se espera é que façamos a lição de casa, ou seja, nossa parte nesta tarefa de construir uma felicidade.
Pular o carnaval pode sim fazer parte desta construção, mas não se esqueça isso constitui somente um dos itens dela, dissolvido entre a vida cultura e social e até esportiva, e só. Você tem o resto do ano para construir o restante.

sábado, 5 de março de 2011

AINDA PALESTRISTAS

Existem dois tipos de que abomino especialmente: os primeiros, são os chamados auto-ajuda; e os segundos são os ditos motivacionais.
A auto-ajuda só funciona, e o nome já diz, para ele próprio. O sujeito que trabalha com auto-ajuda, se ajuda, pois vende livros e palestras  para os incautos, e assim junto algum.
Os motivacionais também se ajudam, pois sempre estão motivados para tentar motivar. Os motivandos geralmente são empregados de uma empresa, que não está a fim de pagar melhores salários, aí acha que provocando a motivação dos funcionários vai aumentar a produção. É claro que funciona somente a curto prazo, pois a dose é de curta duração como os são as demais drogas ilícidas.
Outra coisa que me deixa profundamente irritado é participar destas palestras motivacionais, e ser submetido a brincadeiras bobas, contendo mensagens infantis como fator de motivação à produção colegiada.
Vão de bater caixinhas de fósforo no chão, até o velho e manjado telefone sem fio. O participante de tais cursos é tratado como tivesse uma deficiência mental. O palestrante vem ali para salvá-lo deste mundinho que o deixa tímido, e portanto sem motivação para o trabalho.
Este tipo de treinamento motivacional, ainda bem, está saíndo de moda. Não se iludam, o que é ruim pode ficar pior. Eles não sossegam.

NÃO ESCUTAREI

Modéstias à parte, já dei muita palestras. A maioria grátis, algumas pagas. É claro que nenhuma por 200.000 mangos, até por que não sou ex-presidente da república. Daí, que sei como manter uma platéia interessada, e como manter ocupados os que nela não estão nem aí.
Quando verifico existir alguém que não está interessado na palestra, eu o alugo. Explicando melhor eu o engajo involuntariamente: lhe outorgo tarefas, lhe faço perguntas, peço a sua opinião... Em dez minutos o desinteressado já mudou de turma, pois se acha prestigiado. Em suma, lhe toco na vaidade.
Mas, na verdade, este texto não é para falar das minhas palestras, quero falar é das palestras dos outros.
Existem palestras tão boas que eu pagaria algum dinheiro para vê-las; existem palestras que eu não pagaria nada, mas ficaria por curioso; existem palestras, outras, infelizmente, a maioria, que eu pagaria para não assistir.
Não se deve pagar a palestra pela fama do palestrante; não se deve assistir simplesmente a figura que representa o falante, mas aquilo que ele pode dizer de novo. Nem sempre uma bom político, um bom profissional em seu ramo de atividade é um bom palestrista.
Existe um tipo de pessoa que somente diz aquilo que a platéia - ou claque - quer ouvir. Este tipo é o pior palestristas que existe. Ele é previsível; é enfadonho; é repetitivo.
O bom palestristas lhe vem com novidades, nuanças que você não espera, temas intrigantes, assuntos que você jamais pensou. A palestra boa para você não termina com a alocução do autor, mas se estende nas próximas horas, ou até alguns dias ou anos. Existem palestras que não saem de minha cabeça há anos.
Tem gente querendo pagar 200.000 reais para assistir o Nosso Líder falar. Jamais pagaria um centavo para assistir uma de suas palestras, não pelo fato de tê-lo assistido de graça na tevê durante mais de oito anos, mas pelo simples fato de já saber de antemão o que - não - escutarei.

ZONA NORTE NÃO É A NOSSA TURMA

As manifestações de Dilma sobre os episódios no mundo árabe e adjacências têm sido muito corretas, e guardam afinidade com a postura tradicional de cautela e apoio ao mundo livre que sempre teve o Itamarati. Aparentemente, abandonou a política balaqueira do governo Lula Lá. O novo chefe da diplomacia parece ser uma pessoa muita mais centrada e muito mais profissional.
O que me está intrigando, no entanto, é o aparente silêncio de Garcia - o top top - que não tem aparecido na mídia. As atitudes dele no governo do Nosso Líder não se coadunam com a nova postura, por que será que ele continua no governo? Será que não vai haver uma recaída?
O maluquete do Kadafi, que a imprensa agora resolver chamar de Gadaffi, disse querer a intermediação de Lula Lá, contando com o apoio do Chávez, mas a nossa diplomacia logo afastou a idéia. A atitude da representante brasileira no Conselho de Segurança de ONU foi firme no sentido de condenar de imediato a matança do maluco do Kadafi.
Vamos torcer e pressionar para que as coisas continuem assim. Esta é a nossa turma. Não temos nada que nos meter com a TURMA DA ZONA NORTE.

Arquivo do blog

QUEM É ESTE ESCORPIÃO?

Minha foto
PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO SUL, Brazil
EU E MINHAS CIRCUNSTÂNCIAS