segunda-feira, 17 de março de 2008

NUNCA ANTES NESTE PAÍS

O nosso Presidente, eleito pela maioria do povo brasileiro, em eleições diretas livres, nos exatos termos pregados pela Democracia plena e representativa, afirma todos os dias que vivemos tempos maravilhosos em nosso país. Para tanto criou uma expressão peculiar : “nunca antes neste país...”
Pois bem, vamos comparar o Brasil atual com o Brasil antigo, os de meus tempos de menino. Os tempos que falo são exatamente o referente ao período da ditadura militar. Não quero a covardia de comparar com os tempos de Juscelino, nem a maldade de comparar com a República Velha.
Iniciamos o exame pela Segurança Pública. Naqueles tempos, eu andava na rua a hora que bem entendia, em qualquer lugar da cidade. Tal como fazem tranqüilamente ainda hoje os parisienses e londrinos. Ia para a escola a noite, e minha mãe deixava a porta meramente encostada. Não tínhamos em nossa velha casa de madeira, qualquer tranca, grade ou alarme. Nosso cão de guarda era um cachorro vira-lata de nome Totó, com menos de um palmo de altura. Nunca vi um assalto a ônibus. Aliás a gente nem sabia que era possível. Os poucos armazéns que existiam nas redondezas trabalhavam sem grades diretamente com os clientes até as 9horas da noite, sem qualquer problema. Os bancos não tinham porta giratórias, nem guardas, os caixas não tinham nem vidro. Assalto a banco só em filme de Bang Bang. A comparação fica por conta do leitor.

Passamos à Educação. Eu estudava em escola pública. As 12h30min tocava a sirene para a entrada. Nós, os alunos, fazíamos uma formação por turma de aula, dois a dois, as meninas na frente e os meninos atrás. No segundo sinal, fazia-se silêncio. Na seqüência, o professor diretor ou a professora vice-diretora fazia breve pronunciamento com os avisos do dia. Finalmente, o terceiro sinal determinava que as filas se encaminhassem em ordem em direção às salas de aula. As filas serpenteavam em direção às salas de aula em pleno silêncio. Lá já nos aguardava não a tia e sim a professora. A professora ou professor tinham sólida formação, profundos conhecimentos e uma didática invejável. Jamais alguma professora reclamou de seus salários. Aliás nós nem sabíamos que ele existia, pois nunca se referiam ao mesmo. Nunca entravam em greve, na verdade nem faltavam. Não existia esta de período vago por falta de professor. As aulas começam no primeiro dia de março e terminavam ao final de dezembro, com pequeno período no meio do ano. Aluno que não vencia uma matéria rodava de ano, e repetia tudo de novo. Nunca vi um aluno xingar o professor, pois se o fizesse seria expulso sumariamente da escola. A biblioteca do saudoso Colégio Inácio Montanha, era um brinco. Assoalho encerado, cadeiras de boa qualidade, mesas idem, livros arranjados em prateleiras enfileiradas, seguindo as normas de biblioteconomia. Livros sem qualquer mancha, rasgo ou risco. Educação física com professores competentes, amparados por material de ginástica olímpica, incluindo barras, cavalo, bolas, medicine ball etc... Só para lembrar: não estou falando do Colégio Anchieta . A comparação fica por conta do leitor.

Vamos ao último item a saúde. Não havia a universalização da saúde através da previdência oficial como existe hoje. As categorias eram assistidas por seus institutos. Desta forma, as categorias de maior poder aquisitivo como a dos bancários tinham uma boa assistência, e as numerosas, tais como a dos industriários também. As de pouco poder aquisitivo ou numero reduzido tinham problemas. A assistência dos que não tinham ligação aos sindicatos das categorias era feita através dos postos de saúde ou pelas Santas Casas. Já existiam também os serviços sociais da industria e do comércio, os quais já apresentam um boa assistência social, incluindo assistência dentária. É claro que estamos falando de um tempo, onde a medicina não contava com toda a maquinaria que conta hoje. Na verdade, a assistência hoje é mais completa. Qual o problema então? O problema é o acesso. As longas filas que demonstram uma assistência inferior as necessidades da população. Exemplificativamente: como justificar que uma pessoa com câncer no seio tenha que esperar mais de um ano para fazer uma mamografia. Ora, quando ela conseguir fazer o exame e sair o diagnóstico positivo para o CA, ela já estará com metáteses por todo o corpo. Quando a pessoa consegue ser atendida, o serviço é bem prestado, o problema é chegar até ele.
De qualquer sorte, em nada justifica o otimismo de Lula, o qual num rasgo de mistura de arrogância, maldade ou ignorância, disse em voz alta que o Brasil, em matéria de saúde, estava se aproximando da perfeição. Certamente estava se referindo a saúde no Palácio do Planalto. A verdade é que “nunca antes neste país vimos tanta gente em fila buscando assistência médica ou hospitalar.

Um comentário:

Ivone disse...

QUEM SABE NÃO ESTÁ AQUI UMA IDEIA PRA MELHORAR O PAIS!


Idéia de Rita Lee.....

No programa do Amaury Jr., a cantora e ativista Rita Lee teve uma daquelas idéias brilhantes, dignas do seu gênio criativo.

Reclamando da inutilidade de programas como o Big Brother, ela deu a seguinte sugestão:
"Colocar todos os pré-candidatos à presidência da República trancados em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo.
Sem marqueteiros, sem máscaras e sem discursos ensaiados.
Toda semana o público vota e elimina um.
No final do programa, o vencedor ganharia o cargo público máximo do país.
Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos"

A idéia não é incrivelmente boa?
Se você também gostou, mande essa mensagem para os amigos e faça coro pela campanha:

Casa dos Políticos JÁ!

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