quinta-feira, 12 de junho de 2008

DOUS OLLOS A MIRAR

"Os meus besouros espiões são uns amores. Tudo o que se passa no mato eles correm a me contar. Inda há pouco vieram, muito assustados, dizer do aparecimento dum animalão enorme, assim de chifre único na testa - e percebi que se tratava do rinoceronte fugido." Trata-se de um trecho de Caçadas de Pedrinho do escritor Monteiro Lobato. Ele reportava a existência de um fortíssimo sistema de espionagem na floresta que dava conta de tudo de novo que acontecia naquele ambiente.
Não raro, me surpreendo também com pessoas comentado da minha vida, como se dela participassem ativamente. Certamente, tal qual na floresta deve existir uma rede de espionagem a auscultar não só a minha, pois não sou tão importante assim, mas certamente a de todos.
As vezes é interessante escutar as versões de nossa vida que andam por aí. Nós os participantes de nossas próprias vidas, as vezes, não nos demos contas de algumas coisas que fazemos e outras que deixamos de fazer. Como estamos dentro do palco, não temos consciência da totalidade das ações destes atores que participam deste verdadeiro teatro - que é a nossa vida.
Não que vá aparecer algum animal unicórnio, ou quem sabe bi-chifre a nos assustar e nos por em fuga, mas algum fato ou acontecimento que tenha passado ao largo, sem ter chamado a nossa atenção.
Já dizia um velho professor que somente fixamos em nossa memória os fatos que nos causam estranheza, espanto ou depertam curiosidade, os demais a tendência e não dar a mínima bola, e jogá-los no baú do esquecimento.
Conclui-se os espiões são necessários. Penso cultivá-los. Quem sabe, um pouco de adubo?
Utilizando um lugar comum: minha vida é um livro aberto. E, isto é verdade. Tanto o é que tem me causado alguns aborrecimentos. As minhas gavetas não tem chaves, nem em casa, nem no trabalho. Não costumo esconder papéis e documentos. Eles estão sempre à disposição de quem quer que se proponha a examiná-los. Tem gente que olha mesmo. As vezes some algum objeto, mas isto são acidentes de percurso que costuma assimilar e não esquentar a cabeça, pois objeto perdido geralmente vem em dobro.
A verdade é que sempre sou alvo de grandes e redondos olhos a me mirar. Eles têm me dado sorte, até aqui. Espero que continue assim.

Um comentário:

iva disse...

Achei linda tua homenagem à nossa irmã, porém só não concordo numa passagem, de ter-nos provocado ira, não lembro disto,talvez pela pouca idade.Lembro sim,quando nasceu o nosso irmão "Dinho" eu já com 11 anos e ter de ficar na casa dos tios apanhando de uma das primas enquanto todos foram "hospedarem-se" na casa do Tio Paulino um mês antes do nascimento ,por ser mais próximo o que se pensarmos bem, nem era.Isto, prá mim, representou uma eternidade.Mas isto é apenas um comentário,parabéns.

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