quinta-feira, 6 de novembro de 2008

CRÔNICA DA CRÔNICA


Por crônica se entende pequenas histórias com fim indeterminado, ou ainda coluna de jornal e mais modernamente páginas dos chamados blogs. Pelo meu gosto, o maior cronista brasileiro de todos os tempos é RUBEM BRAGA. É dele a crônica DESCULPEM TOCAR NO ASSUNTO. Ela foi escrita no Rio de Janeiro em 1957, e faz parte da coletânea publicada sob o título de outra crônica AI DE TI, COPACABANA.
Vejam o primor: “Tenho poucas mortas. Mas como são queridas! O engraçado é que à medida que o tempo passa elas vão ficando um pouco parecidas, vão-se fazendo irmãs, mesmo as que jamais se conheceram. Aparecem raramente e sempre caçoam um pouco de mim, mas com jeito de carinho. Não faz mal que não me levem muito a sério; não mereço.”
Na verdade, é que a gente vai moldando os mortos. Vai aos poucos os colocando num padrão, que - não raro – nada tem com os originais.
O último parágrafo é impagável, olhem só: “ Mas a verdade é que nos piores momentos de minha vida sempre senti uma imponderável mão em minha cabeça; então fecho os olhos e me entrego a este puro carinho, sem sequer me voltar para ver se é minha mãe, minha irmã ou uma doce, infeliz amiga ou apenas a leve brisa em meus cabelos.”
Termina assim a crônica, como toda a boa crônica, deixando ao leitor a escolha do melhor desfecho. A boa crônica costuma deixar ao leitor a melhor parte: a continuação. Ele está livre para dar o fim que bem entende ao assunto.
Outra tirada genial de R.B. na mesma crônica: “ O pior dos mortos é que nunca telefonam. Aparecem sem avisar, sentam-se numa poltrona e começam a falar. Tocam em assuntos que já deviam estar esquecidos, e fazem perguntas demais.”
Os meus não costumam me visitar, nem em sonhos. Como tenho tido alguma sorte, acho que na verdade estão muito ocupados em me proteger, pelo que lhes imensamente gratos. Devo lhes dar um trabalho enorme, pelo que lhes peço desculpas. E, é claro, prometo quando for um deles, o que deverá ocorrer nos próximos anos, provavelmente, ajudar os outros que ainda por aqui andarem.

2 comentários:

Ivone disse...

CREDO QUE CRÔNICA MAIS TÉTRICA CRUZES!!!!!!AINDA MAIS QUE DE VEZ ENQUANDO AINDA SONHO COM ALGUNS,ESPERO QUE NÃO SEJA UM CHAMADO!QUE SEJA PARA MINHA PROTEÇÃO!!!!!!BYEBYE!!!!!!

Gin e Rum disse...

Acredito que também dou trabalho aos meus, mas eles nunca reclamaram...por enquanto!

Gostei do teu blog, te visitarei com freqüência.

Um drink,
Gin.

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