quarta-feira, 24 de setembro de 2008

OS GAUCHATOS

Um grupo de alunos nos anos 40 fundou no Colégio Júlio de Castilhos um movimento buscando resgatar e guardar as chamadas tradições gaúchas. Nessa turma, estavam várias pessoas que são hoje personalidades, sendo a mesma importante delas Paixão Cortês. Esta semente lançada por Paixão e seus amigos se espalhou pelo Rio Grande, pelo Brasil e até no estrangeiro. São milhares os chamados Centros de Tradições Gaúchas.
Embora eu não tenha elementos, nem estudos suficientes para amparar o que vou dizer aqui, tenho a minha própria experiência pessoal na minha cidade natal, São Gabriel, onde costumava passar as férias quando menino. Assim, para mim botas, esporas, cheripás, guaiacas, poncho, pala, pingo e outros nomes típicos de coisas gaúchas não me são estranhos.
O meu bisavô tinha um armazém no Município de São Gabriel, aonde as pessoas do mais profundo interior daquela cidade, e até de municípios vizinhos vinham apanhar provisões. Assim, eu conhecia carretas, peões em seus belos cavalos, e suas roupas típicas. Falar em bisavô, o “seu” Olibio nunca usou calça na vida, trajava sempre bombachas. Morreu com mais de 80 anos, e nunca passou o vexame de ter que usar esta coisa moderna chamada calça.
Quando vejo gaúchos e prendas desfilando suas roupas ditas tradicionais, me lembram mais uma desfile de fantasias, pois não guardam qualquer identidade com os peões que eu via na minha infância. Outro ponto a considerar é que na verdade as roupas do trajar gaúcho variaram ao longo do tempo, pois são quinhentos anos a considerar. O que é pior é que a maioria dos trajes apresentados são próprios de festas, ou mínimo, trajes de fazendeiros para ir à cidade, ou ao povo como eles diriam.
Acho que qualquer traje tem que ter relação com o ambiente onde é usado, assim é que somente usei bombachas uma vez na vida. Foi no colégio primário, onde participei da festa farroupilha cantando uma música folclórica para uma colega que interpretava a “Rosinha”, eu era o “Boiadeiro”:
- De tardezinha, quando chego pela estrada, minha Rosinha vem correndo me abraçar
- É pequeninha, quase nada, mas não tem outra mais bonita no lugar.
- Vai boiadeiro que a noite já vem.
-Leva o teu gado e vai prá junto do teu bem.
Onde será que anda a Rosinha? Nunca mais a vi.
Fico também indignado ao ver os chamados tradicionalistas usando grandes chapéus de aba larga, sem tirá-los da cabeça ao entrar em ambiente fechado. Não é outra a causa de toda a casa antiga ter um chapeleiro na entrada. Eles chegam ao supra-sumo da falta de educação ao sentar à mesa de chapéu.
Assim como existem os ECOCHATOS, existem também o que costumo chamar de GAUCHATOS. O sujeito que anda o tempo todo pilchado, de botas com 40º Celsius à sombra (haja chulé), vai ao supermercado com uma cuia na mão e garrafa térmica debaixo do sovaco. Não sai do CTG, vai a tudo que é rodeio. Mora em apartamento e paga uma grana para ter um cavalo guardado em haras só para andar no final de semana. Batiza a filha de Bibiana e o filho de Rodrigo Cambará. Passa o dia cantarolando o CANTO ALEGRETENSE. Chama carta de chasques e casa de galpão. Trata todo mundo de tu, mas conjuga o verbo na terceira pessoa do singular.
Mas báh, tchê é preciso ter paciência com esta gente!

Um comentário:

Ivone disse...

Lendo aqui hoje o blog lembrei do vô Olibio,morreu com 80 anos com a mesmo meu problema de pele ,coitado!Naquele tempo com certeza não era chamado de Dermatite atópica,nem tinha conhecimento do que se tratava,com certeza!Pessoinha boa aquela!Gostei do assunto do gaucho!!!Alias já participei de CTG sendo de patronagem e tudo,bem legal,pessoal unido aquele,nos reuniamos pra nos divertir mesmo,as crianças adoravam!Com pilchas ou não aproveitavamos do mesmo!Tempo bom!!!!!!!!!bjs

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