quinta-feira, 11 de setembro de 2008

UMA JANELA PARA O MUNDO

Naquele tempo, nós todos éramos magrinhos, exceto um aluno mais alto e mais redondo. Ele se salientava naquela primeira semana devido ao fato de que ao terminar a chamada, ele levantava o dedo e dizia : - Professor(a) meu nome não está na chamada. Nada chamaria a atenção, se não fosse o fato dele ficar com as bochechas vermelhas, certamente causadas pela sua timidez própria daqueles 11 anos. Era o Juarez, meu eterno e querido amigo, cuja amizade trago com grande prazer já passados estes 42 anos. Tenho muito cuidado em chamar alguém de amigo, e neste sentido, eles são poucos, mas Juarez certamente é um deles. E, se eu distribuísse medalhas aos meus amigos, ele ganharia a Grã Cruz.
Hoje, o Juarez me mandou um mail onde tinha um filme com o Vigilante Rodoviário, personagem que eu praticamente não acompanhei, pois não tínhamos tevê em casa nesta época.
O meu primeiro contato com a televisão se deu na Rua Alexandrino de Alencar, no final dos anos 50 e no início dos anos 60. Eu a molecada da rua, íamos até o edifício Lapa, num apartamento térreo, e ficávamos vendo a televisão por um janelão de vidro que tinha ali. Claro que só víamos a imagem, nada de som, pois a porta ficava fechada. Nosso programa favorito era os Heróis do Oeste, patrocinado pela Toddy. A Toddy distribuía uniformes de “Patrulheiros Toddy”, e nós todos sonhávamos em ganhar um deles, mas não tínhamos a menor chance até por que não mandávamos os tais tíquetes do Toddy, aliás nunca tínhamos tomado o tal achocolatado.
Durante muito tempo, fomos o que se chamava “televizinho”. Íamos na casa do vizinho, na maior cara-de-pau na hora dos seriados famosos, os quais acompanhávamos como se a tevê fosse nossa. Assim, na base do peru de TV alheia se assistia as séries Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, O Túnel do Tempo e Missão Impossível.
Um programa para toda a família eram as lutas, inicialmente no Canal 5 a pioneira Piratini, e mais tarde na Tevê Gaúcha, Ringue 12. As lutas eram do tipo luta-livre, que a gente sabia previamente combinadas, mesmo assim era a nossa diversão, com os personagens como Fantomas, um mascarado de perna dura que foi o precursor por aqui do que chamávamos de caratê, mas que desta luta tradicional não tinha nada. Também se apresentavam outros personagens como Jangada, Scaramouche e outros menos lembrados. A gente se empolgava tantos com as lutas que um dia ou dois fui até o Ginásio da Brigada para assistir ao vivo.
Só em 1970, após começar a trabalhar (69), é que conseguimos comprar a primeira televisão. Era uma tevê enorme marca Semp, acho que tinha umas 30 polegadas ou mais. Ai então assistimos os programas do Flávio Cavalcanti, as Novelas da Tupi e depois as da Globo. Mas, o primeiro grande programa, sem dúvida foi a Copa de 70, que inaugurou não só a tevê para nós como também em nível de Brasil as transmissões via satélite, que denominaram Via Intelsat.
Bem oposto, já em vacas mais gordinhas, e sete anos após, comprei minha primeira tevê em cores, marca Sharp, a vista. Tinha 16 polegadas, e para os padrões da época uma imagem maravilhosa.
Um episódio engraçado inaugurou minha primeira partida de futebol na televisão colorida: o Corinthians paulista tentava depois de vinte anos o campeonato regional, contra exatamente a Ponte Preta de Campinas. Ora, eu inaugurava a minha tevê colorida com um jogo de dois times preto e branco. Não fique decepcionado pois pelo menos via o campo todo verdinho.
Acho graça das pessoas que desdenham e repudiam a televisão. Considero uma das maiores e mais democráticas invenções de todos os tempos. No meu entendimento, rivaliza com a computação como a maior invenção dos últimos cem anos.
Acho que, se investigarmos esta gente que diz não gostar da telinha, vamos achar um telemaníaco que tem medo do próprio vício.

2 comentários:

iva disse...

É em lágrimas que hoje faço meu comentário,pois lembro cada detalhe colocado aqui como se estivesse revivendo novamente este tempo.
Quem hoje repudia a TV ,com certeza, nunca em criança teve que voltar prá casa triste com vontade de assistir mais um pouquinho e sem entender direito as condições que tínhamos,melhor,isto nos fez as pessoas que somos hoje,pois afinal, compreendemos sim e muito bem o por quê e aceitamos. Deus existe.

Ivone disse...

Não poderia deixar de mandar um comentário sobre esse assunto.Hoje quando a imagem fica tremida na tela,nos irritamos,mas quando olhavamos pela tv do vizinho sem som,achavamos o máximo.Agora ainda mato a vontade de assistir e lembrar dos seriados que curtia na minha época de infancia.Na sky assisto a serie JEANNIE É UM GÊNIO(adoro),TERRA DE GIGANTES ,um dos meus favoritos,pena que nao dá na sky,com certeza gostaria muito de assistir!PERDIDOS NO ESPAÇO(gosto muito)todos esses eu curtia muito assistir!repetecos e repetecos e eu firme na tela!Por isso quando ouço falr nestes tempos fico com coração partido !!!!emocionado!Podem até achar bobagem,já estou acostumada com isso!MAS QUE GOSTO.......GOSTO MESMO E NÃO POSSO NEGAR!!!!!BJS

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