quinta-feira, 18 de setembro de 2008

TRAGÉDIAS E QUASE TRAGÉDIA NA RUA DA LADEIRA

A FLORISTA

Confesso que não lembro ter comprado rosas dela, mas todos os dias ela estava ali na Rua da Ladeira, atual General Câmara, no centro de Porto Alegre, onde trabalho há mais de 39 anos. Nunca soube o seu nome. Ela ficava defronte a um antigo alfaiate de nome Madeira, com dois baldes onde guardava rosas para venda avulsa para os seus clientes.
Era uma pessoa calada, nunca a via conversando com ninguém exceto com os seus clientes. Sua figura era interessante, pois os vendedores de rua naquela época eram poucos, ainda mais neste atividade interessante de vender rosas. Ela não vendia outro tipo de flor; o seu comércio era exclusivo de rosas.
Um determinado dia, um caminhão estacionou no lado esquerdo da ladeira, ou seja no lado oposto onde estava a florista, e ao invés de virar as rodas contra própria calçada, como se faz com os veículos em ladeiras, para evitar que ele destrave e vá lomba abaixo, o motorista resolveu virar as rodas para o outro lado. Não é que o caminhão despencou e foi contra a calçada contrária atingindo e matando na hora a nossa florista? Ficamos todos nós moradores e trabalhadores da rua muito tristes, chateados mesmo com o infausto acontecimento, e principalmente pelo somatório de azares que resultaram no passamento da vendedora de rosas.
Sua figura sentada ao lado das rosas, esperando os clientes ainda faz parte de minhas lindas lembranças, e também de minhas tristezas.

A FAXINEIRA

Durante muitos anos a Rua da Ladeira, nome tradicional da Rua General Câmara, tinha um trânsito que subia, depois inverteram a mão e ela passou a descer. Acho que não foi uma boa idéia.
Acontece que a dita rua é interrompida na altura das Rua General Andrade Neves, face a existência do calçadão da Rua da Praia, logo abaixo, daí que forçosamente o trânsito inflete à direita.
Como se trata de uma ladeira bem íngreme, a velocidade não pode ser muito grande, sob pena de não se vencer a curva de noventa graus à direita.
Pois bem, um caminhão destes tipo de transportes de valores desceu a Ladeira em velocidade excessiva e não conseguiu vencer a curva, indo tombar contra o Edifício Manhattan, mais precisamente contra a escadaria de acesso ao referido prédio, no exato momento em que saia dele uma senhora. Ela morreu a caminho do hospital.
Descobrimos que ela tinha ido exatamente no Edifício Manhattan para se despedir dos colegas, pois no dia anterior havia se aposentado. A infeliz coincidência da descida tresloucada do caminhão e sua saída resultou um final trágico na vida da trabalhadora.
A Rua da Ladeira fizera mais uma vitima.

SORTE

Pois um outro dia um caminhão estava estacionado em frente ao mesmo Bar Ladeira, carregado de tijolos, e destravou descendo alucinadamente a rua. O motorista desesperado gritava para saírem da frente. Pois o caminhão desceu toda a rua, atravessou a Rua da Praia, apinhada de gente e foi parar somente quase na Rua Sete de Setembro, defronte ao Banco Bradesco, sem causar qualquer lesão aos transeuntes.

CONCLUSÃO

Comparei os três episódios, e deduzi: ninguém havia marcado encontro com a morte neste último episódio, mesmo que o cenário estivesse montado.
Lembrei de um velho e sabido dito latino: “Morte nihil certius est, nihil vero incertius quam ejus hora.” Numa tradução de leigo: A morte é certa, só incerta é a sua hora.”

Um comentário:

Ivone disse...

NOSSA QUE COISA ESSAS HISTÓRIAS ,ARREPIANTE MESMO,NADA É CERTO NESTA VIDA MESMO!RUA DA LADEIRA TEM MESMO UMAS HISTÓRIAS!CADA VEZ QUE VOU AO CARTÓRIO PENSO NISSO E FICO COM MEDO DE SUBIR,FICO CUIDANDO ,CREDO QUE MEDO!PERIGO VERDADEIRO!UM ABRAÇO!!!!

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