sábado, 16 de fevereiro de 2008

NAVEGAR É PRECISO, PLAGIAR TAMBÉM

Assim inicia uma poesia de FERNANDO PESSOA : Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casa como eu sou: ...
Ora, a frase na verdade é atribuída a Pompeu, que respondendo aos marinheiros que tentavam dissuadi-lo de singrar para Roma durante uma tempestade, quando devia conduzir para ali o trigo colhido na Sicília, na Sardenha e na África. Mais remotamente tal frase era uma sentença grega, que as cidades hanseáticas adotaram como divisa.
Pelo menos é o que diz Plutarco, in Vida de Pompeu, parágrafo 50.
Em latim ficaria assim: NAVIGARE NECESSE, VIVERE NON NECESSE.
Veja que “necesse” significa necessário. O que traduzido ficaria navegar é necessário, viver não é necessário.
Outro dia ouvi alguém dizer que a palavra “preciso” em português não significava “necessário” e sim “certo”, “categórico” ou “lacônico”. Assim, navegar é preciso significaria que navegar é uma coisa certa, determinada, ou sejam com precisão, e que tal fato não acontecia com a vida. A palavra vem do latim e tem outros significados de cortado, truncado, abrupto, escarpado, e num sentido retórico preciso ou conciso.
Os dicionários, no entanto, também trazem a palavra preciso como sinônimo de necessário e indispensável.
O interessante é que também na literatura e na poesia em geral é muito difícil alguém criar alguma coisa do nada.
Assim como este meu texto, que vem com alguma pesquisa e estudo, os mais famosos (sem qualquer tipo de comparação que minha falsa modéstia não deixa), os grandes escritores, não raro, também buscam alguma inspiração e algumas vezes um plágio, por aqui e por ali.
Notaram que acima falei em Petrarca vejam os seus versos:

“Questa anima gentil che si diparte
Anzi tempo chimata a l´altra vita,
Se lassuso è quanto esser de´gradita
Terra del ciel la più beata parte”
(Petrarca nasceu em 1304 e morreu em 1374)

Agora, comparem com os versos de Camões

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

O genial flagra não é meu é de Lauro Pinto publicado na Internet.

Em suma: plagiar é preciso! (Desde que o trabalho seja bom – é claro)


José Osnir

Um comentário:

josenic.codesso disse...

Visitei seu blog, e nas leituras, me senti à frente de uma crônica de Moacir Scliar, adoro! Textos e comentários, a dissertação subjetiva de alguém puxa minha inteligência, a faz processar uma determinada opinião sobre um assunto...acho que eu deveria ler mais. Um abraço! Josenice Codesso

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