quinta-feira, 17 de abril de 2008

COISAS DA VIDA E DA MORTE

As vezes, e não são poucas, me flagro pensando sobre a vida.
Muito já li, incluindo os filósofos ateus, agnósticos ou crentes, católicos e não católicos, sobre os conceitos de vida.
Muita gente fala sobre o milagre da vida como representado pelo nascimento. Eu não concordo, pois para mim quando a criança é expulsa ou tirada do ventre da mãe já está viva. Ela já constitui um ente por si só, hospedeira da mãe, é verdade, mas tem outra identidade, outro sistema nervoso e cerebral, logo ali está um ser humano, embora em claustro natural.
Não quero hoje (o farei outro dia), falar sobre o aborto, quero ficar somente na discussão dos conceitos de vida.
Se você quer entender a vida, entenda a morte.
Quer ter a noção do que é a vida, olhe o corpo de uma pessoa morta.
Você olha e não vê. Você não sente. Ali está somente a representação do que foi o ser.
Quer fazer a comparação? Olhe para uma pessoa que somente dorme. Ela está também inerte, parada, sem movimento algum, mas tem vida. Você percebe por todos os seus sentidos que ali tem um ser.
Assisti, neste meu já longo andar, alguns momentos em que posso dizer que vi no rosto das pessoas envolvidas a face da morte. Não tenho condições de descrevê-la, nem quero, talvez você também não queira saber. Num primeiro caso, se tratava de uma pessoa muito querida minha, no Hospital Moinhos de Vento, em estado de agonia terminal, um caso de melanoma; outro caso, de uma pessoa que viria a morrer horas depois, e tinha conhecimento disso a qual me olhou, e nunca mais esqueci aquele olhar pedinte; e o último caso, o momento exato de um derrame cerebral, com grande espasmo facial e dos membros superiores, a face mais profunda da dor.
Em todos os episódios, estive abraçado com a impotência diante dos infaustos acontecimentos, o desespero de nada poder fazer, a fé que vacila, a esperança que desaparece, o desejo de retroagir e apagar toda a triste cena.
A morte nos faz valorizar a vida. Todo o dia é dia de viver. As Segundas-feiras também. Nada de ficar sonhando com o fim de semana, com as férias, com a aposentadoria, viva seu dia-a-dia. Curta a sua família, os seus afetos, os seus amigos, a sua casa, o seu trabalho e seus animais, e até os seus bens materiais, e principalmente dê graças a esse milagre da vida.

Um comentário:

Ivone disse...

NESTE RELATO TEU DE MORTE,EU TIVE UMA EXPERIENCIA DE ESTAR PRESENTE DURANTE A MORTE DE UMA PESSOA AMIGA.IMPRESSIONANTE PARECE UMA VELA QUE SE APAGA!ESSA PESSOA NÃO TINHA CRENÇA NENHUMA ,SE NEGAVA A SEGURAR UMA CRUZ QUE ERA COLOCADA NAS MAOS,NUMA AGONIA CONSTANTE,COITADO NÃO SE ENTREGAVA.REZAVAMOS MUITO NO QUARTO ATÉ QUE ELE SEGUROU A CRUZ E DEU O ULTIMO SUSPIRO.QUANDO SEGUROU A CRUZ DE CRISTO FALECEU!NÃO ADIANTA,ESSE É NOSSO DESTINO!DEUS SABE O QUE FAZ!BJS

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