quinta-feira, 10 de abril de 2008

PASSAM OS AÑOS E ALGUNS À CASA TORNAM

A música tem que ser composta de uma linda melodia e de uma boa letra. Não me conformo em que somente tenha versos rimados, ou de grande sonoridade, exijo que tenha conteúdo, e principalmente lições de vida.
A mensagem verbal é muito importante, assim das lindas músicas sem letra, prefiro os clássicos Beethoven, Chopin e Mozart; das letras sem boa música prefiro os poetas Drummond, Vinicius e o super o clássico Augusto dos Anjos.
Assim, quando temos a oportunidade de ouvir uma canção como “Años” de Pablo Milanês, principalmente na voz inconfundível de La Negra – Mercedes Sosa, temos a alma elevada, o coração bate mais forte, a sensibilidade aflora, os sentimentos brilham.
El tiempo pasa nos vamos poniendo viejos
Yo el amor no lo reflejo como ayer
En cada conversación cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo de razón
Passam os anos e como muda o que eu sinto
O que ontem era amor vai se tornando outro sentimento
Porque anos atrás tomar tua mão roubar-te um beijo
Sem forçar o momento fazia parte de uma verdade
Vejam este último verso, onde o poeta demonstra que os sentimentos de paixão de uma juventude já longínqua, vai se transformando em outro sentimento, certamente de muito mais valor, mais perene, de mais substância.
El tiempo pasa nos vamos poniendo viejos
Yo el amor no lo reflejo como ayer (como ayer)
En cada conversación cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo de razón
Vamos viviendo viendo las horas
Que van pasando las viejas discusiones
Se van perdiendo entre las razones
Em verdade, foi feliz o autor em trazer numa maravilhosa música dita “Años”, toda a diferença entre as paixão da juventude, a arrebatação do sentimento fugaz, para uma verdadeira interação de uma boa querência que se torna eterna.
Por outro lado, (e aqui ouso eu fazer uma exploração), numa linha paralela para falar daqueles (ou daquelas) que se aproveitam destes momentos, onde cede a paixão, e sentimentos mais altos, ligados à linha da camaradagem se alevantam, e como falei acima até da cumplicidade de dois seres que viveram durante muitos anos bons e maus momentos, para tentar em outros ninhos viver novas paixões, sem se importar com o sentimento de seu companheiro ou companheira.
Se aproveitaram do mais belo lado da maçã, e quando lhe aparece o outro lado, mesmo que o gosto continue bom, vão mais pela aparência da fruta e a descartam. Como os sonhos de Raymundo Corrêa vão embora, mal raia sanguínea e fresca a madruga.
Não raro, ainda como diria Raymundo Correa, falando ainda dos sonhos, quando à tarde, e na rígida nortada sopra, elas (as pombas), serenas, ruflando as asas, sacudindo as penas, voltam em bando e em revoada. Sim eles voltam, aos braços de suas amadas, passadas as emoções da aventura fácil.
Algumas vezes, têm sorte e ainda encontram o ninho ocupado; em outras oportunidades ninguém lhe espera, em outras mais freqüentes, ainda, lhe aguardam e suportam por outras razões, menos nobres.
“Tenho de fazer tudo para não brigar. Se eu fizer tudo o que ele quiser, ele vai fica comigo! Quem acredita nisso acabará saturado de sempre fazer coisas para agradar o outro. Essa crença deriva do conceito do – amor-troca-, isto é, do pensamento que, para ser amado, é necessário fazer tudo para o outro seja feliz. É a relação que tem conta-corrente e livro caixa.” Este trecho foi extraído do livro AMAR PODE DAR CERTO de Roberto T. Shinyashiki e Eliana Bittencourt Dumet. Ora o casamento não pode ser feito de renúncia de um ou de outro. Costumo usar um termo técnico do direito civil para ilustrar, o casamento deve ser composto de pequenas transações. Na transação civil, que nada mais é do que um acordo na linguagem leiga, uma das partes abre mão de um pouco, e o outro, por sua vez abre mão de outro pouco para chegar a um consenso, onde cada perde e ganha, de tal sorte que o todo fique harmonioso.
Ainda do Livro de Shinvashiki e Dumet, a sustentação de uma relação está num tripé de admiração, respeito e de confiança. Você sabe, não dá para fazer um banco com duas pernas ou uma só, e sem pernas não há banco.

Um comentário:

Ivone disse...

Se aproveitaram do mais belo lado da maçã, e quando lhe aparece o outro lado, mesmo que o gosto continue bom, vão mais pela aparência da fruta e a descartam.Lendo esse pedacinho aqui,lembrei de uma maçã que comprei um dia desses no super mercado,estava uma beleza por fora,linda vermelha,grande ,uma verdadeira maravilha,olha pra ela e parecia de cera,esperava que tivesse uma delicia.qual nao foi a surpresa!parti em 2 e por dentro estava podre,escura,murcha!É bem assim a vida !parece confiavel e portanto......parece um comentário bobo mas retrata bem o que se passa nesta vida!

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