A parábola do Filho pródigo está no Evangelho de Lucas no capítulo 15, versículos 11 a 32. Nela, é contado que um pai tinha dois filhos, sendo que o primeiro veio lhe exigir sua parte na futura herança, pois pretendia correr mundo. O pai concordou e lhe alcançou a quantia reivindicada pelo filho mais moço.
O filho sai e consume com todo o dinheiro, depois então, arrependido, volta para a casa do pai que o acolhe. O filho mais velho que ficara trabalhando junto ao pai fica indignado com a acolhida feita pelo genitor.
Muita gente, para não dizer a grande maioria, toma a expressão filho pródigo como se fosse o filho que volta, quando na verdade pródigo quer dizer aquele que dilapida o patrimônio próprio.
A prodigalidade é motivo de interdição dos direitos com decretação de incapacidade relativa, conforme estatui o artigo 4º, inciso IV do Código Civil Brasileiro. Tem tal instituto a intenção de proteger o pródigo de suas próprias ações danosas ao seu patrimônio.
No estudo desta parábola, se extraem todo o tipo de interpretação e defesa de um ponto de vista e de outro. De um lado, os que veem virtudes no arrependimento do filho pródigo, e também alguma humildade no reconhecimento de que errou, voltando para pedir perdão ao pai. De outra banda, os que veem virtudes nobres ao pai que recebeu o seu filho de volta como se nada tivesse acontecido. Atitude própria de quem tem, segundo alguns autores, cravado no peito um cravo de ternura. Que pai não tem? E – por fim – aqueles que estão do lado do filho mais velho que ficou ali ao lado do pai lhe ajudando nas lidas da casa e do labor, enquanto o filho pródigo cai na gandaia, lhe dando razão em sua indignação.
Como não sou político, logo, não vou me furtar a dar opinião. Nem que seja pelo fato de ser o dono do blog, e blog é lugar onde se dá palpite – não raro ruim. Entendo, em primeiro lugar, que o filho mais moço, o dito pródigo, só voltou quando o dinheiro terminou, ou seja, se tivesse dado sorte e ao invés de perder todo o dinheiro aumentado a fortuna, não teria tornado à casa. A atitude do pai é discriminatória quanto à pessoa do filho mais velho, embora seja louvável o seu acolhimento do filho, e até sua obrigação, se não legal, pelo menos moral. Deveria achar uma forma de compensar o filho que ficou. A atitude do filho mais velho não é de egoísmo como quer a maioria dos beatos, mas a manifestação de contrariedade quanto à injustiça. É o chamado poder de indignação, tão ausente de nosso povo nos últimos anos, numa verdade covardia social diante dos desmandos governamentais.
O filho mais velho é chamado de materialista, pois aparentemente estaria indignado com as concessões de ordem material de seu pai. Quem disse? Quem sabe aquele filho não estaria indignado é com a atenção dada por seu pai ao outro irmão e não com os novos recursos que o seu ascendente estava agora alcançando ao pródigo?
Gostaria que meus amigos me enviassem suas posições sobre a tal parábola, o que pode ser feito aqui mesmo no blog ou pelo e-mail jovaz@portoweb.com.br .
Existem duas pessoas inviáveis dentro de mim: a primeira, a que os meus inimigos imaginam; a segunda, a que os meus amigos propagandeiam.
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Um comentário:
Também penso assim.A interpretação recorrente que fazem ao irmão do filho pródigo é que ele teria sido invejoso e que já pensava em seus bens. Mas em nenhum momento a parabola nos fala isso.Ele tem razão ao estar indignado pelo seu trabalho não ter sido reconhecido como a volta do filho pródigo.
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